3 pesquisas revelam a verdade incômoda sobre adoção de IA agêntica nas empresas

    Tempo de leitura: 4 minutesTrês pesquisas globais revelam que o sucesso com IA agêntica depende mais de governança e preparação organizacional do que da tecnologia em si, com implicações cruciais para empresas brasileiras.

    30 de agosto de 2026

    Inteligencia ArtificialAgentes de IAGestão EmpresarialGovernança de IAIA AgênticaInteligência ArtificialROI em IATransformação Digital
    3 pesquisas revelam a verdade incômoda sobre adoção de IA agêntica nas empresas
    Tempo de leitura: 4 minutes

    Introdução

    A promessa da IA agêntica – sistemas capazes de executar tarefas complexas com autonomia – está se transformando rapidamente em realidade para empresas ao redor do mundo. No entanto, três pesquisas recentes de grandes consultorias globais revelam uma verdade desconfortável: enquanto a adoção de agentes de IA cresce exponencialmente, as organizações estão lutando com questões fundamentais de governança, accountability e preparação da força de trabalho. Para executivos brasileiros navegando esta transformação, os dados apresentam lições cruciais sobre o que realmente importa na implementação bem-sucedida de sistemas agênticos.

    O cenário atual da adoção de IA agêntica

    A pesquisa ‘Agentic Transformation’ da Deloitte revela um paradoxo preocupante: 43% das organizações já estão expandindo implementações de agentes de IA entre diferentes funções, mas apenas 15% alcançaram implementações multi-agentes orquestradas em escala. Mais alarmante ainda, apenas 20% das empresas consideram sua força de trabalho preparada para esta mudança, e somente 16% afirmam que seus processos atuais estão prontos para a adoção agêntica.

    Estes números contrastam drasticamente com as expectativas dos líderes empresariais. Segundo a Deloitte, 74% dos executivos esperam que metade de seus processos de negócios sejam redesenhados em torno de agentes de IA até 2030. Esta desconexão entre ambição e preparação real representa um dos maiores desafios para empresas brasileiras que buscam competir globalmente na era da IA.

    Dados da Salesforce complementam este cenário, mostrando que o número de agentes de IA ativos nas organizações triplicou no último ano, com as capacidades destes sistemas aumentando em 350%. O número médio de agentes por organização saltou de 5 para 13, enquanto o tempo de criação caiu 53%, para uma média de apenas 1,9 dias por agente. Esta aceleração na adoção torna ainda mais crítica a necessidade de estruturas adequadas de governança.

    O desafio da accountability e governança

    O ‘Global AI Pulse’ da KPMG, baseado em respostas de 2.145 executivos C-level em 20 países, identifica uma mudança fundamental no foco das organizações: da simples implementação para questões de accountability, economia da IA e geração de valor real. A pesquisa revela que 76% das empresas agora veem valor real de negócios na IA, um aumento de 12% em apenas um trimestre.

    No entanto, o estudo também expõe barreiras significativas. As dificuldades em escalar casos de uso e as lacunas de habilidades praticamente dobraram trimestre após trimestre como os principais obstáculos para demonstrar ROI. Organizações com visibilidade completa dos custos operacionais de IA têm cinco vezes mais probabilidade de reportar ROI estabelecido do que aquelas sem tal visibilidade – um insight crucial para CFOs brasileiros avaliando investimentos em IA.

    A pesquisa conjunta Accenture-Wharton adiciona outra dimensão crítica ao debate, analisando dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA em 18 indústrias. O estudo descobriu que 50% das horas de trabalho na economia americana, envolvendo 120 milhões de trabalhadores, estão sendo remodeladas por aproximadamente 60 agentes de IA digitais e físicos. No setor bancário e de mercados de capitais especificamente, agentes de IA digitais já impactam mais de 45% das horas trabalhadas.

    A distinção crítica: humanos ‘na liderança’ versus ‘no loop’

    James Crowley, coautor do relatório da Accenture, faz uma distinção fundamental que deveria guiar executivos brasileiros: a diferença entre ter humanos ‘no loop’ versus ‘na liderança’. Enquanto estar ‘no loop’ implica meramente revisar o que o agente fez, estar ‘na liderança’ significa que a accountability pelo trabalho permanece com o humano, não com o agente. Esta mudança de perspectiva é essencial para construir sistemas de IA responsáveis e confiáveis.

    O que isso significa para empresas brasileiras

    Para o mercado brasileiro, estas pesquisas oferecem insights valiosos sobre como navegar a transformação agêntica de forma responsável e eficaz. Primeiro, fica claro que a tecnologia em si não é o maior desafio – a adoção já está acontecendo em ritmo acelerado. O verdadeiro desafio está em construir os frameworks organizacionais necessários para operar com agentes de IA em escala.

    Empresas brasileiras precisam focar em três áreas críticas identificadas pelas pesquisas: visibilidade de custos operacionais de IA, desenvolvimento de competências na força de trabalho, e estabelecimento de estruturas claras de governança antes da implementação em larga escala. A experiência internacional mostra que organizações que negligenciam estes aspectos enfrentam dificuldades significativas para extrair valor real de seus investimentos em IA agêntica.

    O modelo de precificação baseado em resultados, mencionado na pesquisa da Salesforce como uma tendência emergente, pode ser particularmente relevante para o mercado brasileiro. Este approach vincula explicitamente os resultados de negócios à execução dos agentes de IA, criando incentivos alinhados entre fornecedores e clientes – algo especialmente importante em um ambiente de recursos limitados.

    Lições práticas para implementação

    As pesquisas convergem em várias recomendações práticas que executivos brasileiros devem considerar. Primeiro, a necessidade de redesenhar processos de negócios em torno da colaboração humano-agente, não simplesmente automatizar processos existentes. Segundo, a importância de investir em capacitação antes da implementação em larga escala – as empresas com maior sucesso são aquelas que preparam sua força de trabalho antecipadamente.

    Terceiro, a criação de novos papéis organizacionais, como o ‘chief agentic resource officer’ sugerido pela Accenture, pode ser necessária para gerenciar efetivamente a força de trabalho híbrida humano-IA. Para empresas brasileiras, isso pode significar repensar estruturas organizacionais tradicionais e criar novas formas de accountability.

    Transformação relacional, não apenas tecnológica

    Talvez a lição mais importante das três pesquisas seja que a transformação agêntica é fundamentalmente sobre relacionamentos – entre humanos e agentes, entre diferentes sistemas, e entre diferentes partes da organização. Como as pesquisas demonstram, empresas que tratam a adoção de IA agêntica como um desafio puramente técnico estão destinadas a enfrentar dificuldades.

    Para o contexto brasileiro, onde relacionamentos pessoais e confiança desempenham papéis particularmente importantes nos negócios, esta perspectiva relacional pode ser uma vantagem competitiva. Empresas que conseguirem construir culturas organizacionais que abracem a colaboração humano-IA, mantendo accountability clara e governança robusta, estarão melhor posicionadas para capturar o valor prometido pela IA agêntica.

    Conclusão

    As três pesquisas pintam um quadro consistente: a era da IA agêntica chegou, mas o sucesso depende muito mais de fatores organizacionais e humanos do que da tecnologia em si. Para executivos brasileiros, a mensagem é clara – investir em IA agêntica sem investir igualmente em governança, capacitação e redesenho de processos é uma receita para o fracasso. As empresas que reconhecerem que estão embarcando em uma transformação relacional, não apenas tecnológica, estarão melhor preparadas para navegar os próximos 12 a 24 meses, período que separará os líderes dos retardatários na economia digital global.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria “3 surveys deliver the same uncomfortable truth about adopting agentic AI” publicada em ZDNet, disponível em https://www.zdnet.com/article/3-surveys-uncomfortable-adopting-agentic-ai/.

    Gostou? Receba mais conteúdos como este

    Insights semanais sobre tecnologia e inovação.

    Conteúdos relacionados