ChatGPT evolui do perguntar para o fazer: dados globais revelam nova era de uso

    Tempo de leitura: 5 minutesOpenAI revela como 1 bilhão de usuários usam ChatGPT globalmente. Brasil lidera em multimídia, América Latina acelera adoção e uso profissional foca em execução, não apenas consultas.

    7 de agosto de 2026

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    ChatGPT evolui do perguntar para o fazer: dados globais revelam nova era de uso
    Tempo de leitura: 5 minutes

    Introdução

    A OpenAI divulgou pela primeira vez dados detalhados sobre como mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo estão usando o ChatGPT, revelando uma mudança fundamental: a inteligência artificial está deixando de ser uma ferramenta de consulta para se tornar um instrumento de execução. Os dados, disponíveis na plataforma OpenAI Signals, mostram padrões de uso por país e revelam tendências surpreendentes sobre como diferentes regiões e faixas etárias estão adotando a tecnologia.

    Para o mercado brasileiro, esses insights são especialmente relevantes. O Brasil aparece como destaque no uso de recursos multimídia do ChatGPT, com mais de 10% das mensagens focadas em geração e análise de imagens, vídeos e áudio. Essa descoberta posiciona o país na vanguarda de casos de uso mais sofisticados da IA, indo além do texto tradicional.

    Do perguntar ao fazer: a transformação do uso profissional

    A análise mais reveladora dos dados mostra uma clara divisão entre o uso pessoal e profissional do ChatGPT. No ambiente de trabalho, os usuários têm duas vezes mais probabilidade de usar a ferramenta para completar tarefas ou criar algo concreto – desde escrever código e documentos até realizar análises complexas de dados. Essa categoria de uso, chamada de ‘fazer’, contrasta com o padrão de uso pessoal, onde ‘perguntar’ – buscar informações e esclarecimentos – ainda domina.

    Essa mudança representa uma evolução significativa na maturidade do uso de IA. Empresas e profissionais não estão mais apenas experimentando ou explorando as capacidades da tecnologia. Eles estão efetivamente integrando o ChatGPT em seus fluxos de trabalho para produzir resultados tangíveis. Isso inclui aplicações como edição de textos profissionais, desenvolvimento de código, análise de dados e criação de conteúdo especializado.

    Para gestores brasileiros, esse dado sugere que a janela de vantagem competitiva através da adoção precoce de IA está se fechando rapidamente. Empresas que ainda tratam ferramentas como o ChatGPT apenas como curiosidades tecnológicas podem estar ficando para trás de competidores que já as utilizam para aumentar produtividade e qualidade de entrega.

    América Latina acelera na corrida global de IA

    Os dados revelam uma tendência encorajadora para a região: países da América Latina, África e Oceania estão rapidamente diminuindo a diferença de adoção em relação aos pioneiros norte-americanos e europeus. Peru, Uruguai e Costa Rica foram os países que mais subiram no ranking global de uso per capita do ChatGPT no segundo trimestre de 2024.

    Essa aceleração na adoção sugere que a democratização do acesso à IA avançada está ocorrendo mais rapidamente do que muitos previam. Enquanto América do Norte e Europa continuam liderando em números absolutos, o crescimento percentual em mercados emergentes é significativamente maior. Isso pode representar uma oportunidade única para empresas e profissionais desses países saltarem etapas tecnológicas, adotando diretamente ferramentas de IA de ponta sem passar por gerações intermediárias de tecnologia.

    Para o ecossistema brasileiro de tecnologia, essa tendência regional é um sinal positivo. Indica que existe apetite e capacidade técnica para absorver inovações em IA, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de soluções locais e adaptações específicas para o mercado.

    Brasil lidera em uso multimídia: além do texto

    Uma descoberta particularmente interessante para o mercado brasileiro é o destaque do país no uso de recursos multimídia do ChatGPT. Com o lançamento do ChatGPT Images 2.0 em abril de 2024, a capacidade de gerar, analisar e trabalhar com imagens, vídeos e áudio se tornou uma das funcionalidades de crescimento mais rápido globalmente, representando 7,8% de todas as mensagens.

    No Brasil e na Colômbia, esse percentual ultrapassa 10%, colocando esses países na vanguarda dessa tendência. Isso sugere que profissionais e empresas brasileiras estão explorando casos de uso mais sofisticados, como criação de conteúdo visual para marketing, análise de documentos visuais, geração de apresentações e materiais educacionais com componentes visuais.

    Essa afinidade com recursos multimídia pode estar relacionada à forte cultura visual e de comunicação do Brasil, onde plataformas visuais como Instagram e TikTok têm penetração massiva. Empresas brasileiras que souberem capitalizar essa tendência, desenvolvendo workflows que integrem geração e análise de conteúdo visual via IA, podem ganhar vantagens significativas em suas estratégias de comunicação e marketing.

    Democratização etária: IA não é mais só para jovens

    Outro padrão revelador nos dados é o crescimento acelerado do uso entre pessoas acima de 35 anos. Globalmente, esse grupo etário aumentou sua participação em 5% no total de mensagens enviadas ao ChatGPT ao longo do último ano. Em alguns países europeus como França e República Tcheca, o aumento foi superior a 10 pontos percentuais.

    Essa tendência desafia o estereótipo de que novas tecnologias são adotadas principalmente por gerações mais jovens. No contexto corporativo brasileiro, isso sugere que programas de capacitação em IA não devem focar apenas em talentos júnior, mas incluir gestores seniores e profissionais experientes que podem trazer perspectivas valiosas sobre como aplicar IA em contextos de negócio complexos.

    A adoção crescente por faixas etárias mais maduras também indica que as interfaces e casos de uso do ChatGPT estão se tornando mais intuitivos e alinhados com necessidades profissionais reais, não apenas experimentação tecnológica.

    O que isso significa para o mercado brasileiro

    Os dados da OpenAI pintam um quadro de transformação acelerada no uso de IA generativa globalmente, com implicações diretas para o mercado brasileiro. Primeiro, a mudança do ‘perguntar’ para o ‘fazer’ no ambiente profissional indica que empresas que ainda não desenvolveram políticas e práticas claras para uso de IA podem estar perdendo ganhos significativos de produtividade.

    Segundo, o destaque do Brasil no uso de recursos multimídia sugere uma oportunidade única para empresas locais desenvolverem expertise diferenciada nessa área. Agências de publicidade, produtoras de conteúdo, empresas de e-learning e departamentos de marketing podem estar especialmente bem posicionados para liderar essa tendência.

    Terceiro, a aceleração da adoção na América Latina como um todo cria um ambiente regional favorável para colaboração e desenvolvimento de soluções específicas para mercados de língua portuguesa e espanhola. Isso pode incluir desde adaptações de modelos de linguagem até desenvolvimento de aplicações verticais específicas para setores importantes na região.

    Por fim, a democratização etária do uso sugere que programas de transformação digital nas empresas devem ser inclusivos e abranger todos os níveis hierárquicos e faixas etárias, não apenas focar em ‘nativos digitais’.

    Conclusão

    Os dados divulgados pela OpenAI através do Signals oferecem uma visão sem precedentes de como a IA generativa está sendo realmente utilizada ao redor do mundo. Para o Brasil, as descobertas são particularmente encorajadoras: o país não apenas acompanha as tendências globais, mas lidera em áreas específicas como uso multimídia.

    A mensagem para gestores e profissionais brasileiros é clara: a IA já passou da fase de curiosidade tecnológica para se tornar uma ferramenta de trabalho essencial. Empresas que souberem capitalizar as forças específicas do mercado brasileiro – como a afinidade com conteúdo visual e a rápida adoção regional – estarão melhor posicionadas para competir em um mundo onde IA não é mais diferencial, mas requisito básico.

    À medida que o ChatGPT e outras ferramentas de IA continuam evoluindo, os dados sugerem que o gap entre early adopters e o mainstream está diminuindo rapidamente. Para o mercado brasileiro, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade: o desafio de acelerar a adoção para não ficar para trás, e a oportunidade de liderar em nichos específicos onde o país já demonstra vantagens naturais.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria “From asking to doing: How the world is putting ChatGPT to work” publicada em OpenAI, disponível em https://openai.com/index/how-the-world-is-putting-chatgpt-to-work.

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