91% dos fundos de VC na América Latina já usam IA para avaliar startups

    Tempo de leitura: 5 minutesEstudo revela que 91% dos VCs latino-americanos usam IA para analisar investimentos, transformando como startups devem se apresentar e estruturar seus negócios para atrair capital.

    28 de junho de 2026

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    91% dos fundos de VC na América Latina já usam IA para avaliar startups
    Tempo de leitura: 5 minutes

    Introdução

    A inteligência artificial transformou radicalmente a forma como os fundos de venture capital operam na América Latina. Um estudo recente da Hi Ventures revela que 91% dos VCs da região já utilizam IA para analisar oportunidades de investimento – um salto impressionante comparado aos 45% registrados há apenas dois anos. Esta mudança não apenas reflete a maturidade tecnológica do ecossistema latino-americano, mas também sinaliza uma transformação profunda na dinâmica entre investidores e empreendedores.

    Para fundadores de startups, isso significa que seus pitches, modelos de negócio e até mesmo a estrutura de suas empresas estão sendo avaliados por algoritmos sofisticados antes mesmo de chegarem a uma conversa com um partner. O impacto dessa mudança é profundo: a forma como as startups se apresentam, os dados que compartilham e até mesmo a linguagem que utilizam precisam ser repensados para esta nova realidade.

    A nova realidade dos fundos de venture capital

    O estudo State of AI Latin America 2026, que ouviu 54 gestoras de venture capital em toda a região, mostra que a adoção de IA vai muito além da análise inicial de deals. Os números revelam um uso diversificado e estratégico da tecnologia: 85% dos fundos utilizam IA para pesquisa de mercado e inteligência competitiva, 63% para monitoramento e reporte de portfólio, 59% para modelagem financeira e avaliação de empresas, e 52% tanto para comunicações com Limited Partners quanto para revisão de contratos e compliance.

    Surpreendentemente, apenas 4% dos fundos afirmaram não usar IA além das funções básicas de sourcing e análise de deals. Isso demonstra que a tecnologia já permeia praticamente todas as operações dos VCs, desde a identificação de oportunidades até o acompanhamento pós-investimento.

    Um dado particularmente interessante é a preferência dos fundos pelo Claude, da Anthropic, presente em 94% das firmas. O modelo superou tanto o ChatGPT da OpenAI (69%) quanto o Gemini do Google (65%). Esta escolha reflete não apenas as capacidades técnicas do Claude, mas também sua adequação para tarefas analíticas complexas que exigem raciocínio estruturado e análise de grandes volumes de informação.

    O que os VCs procuram: startups nativas em IA

    A pesquisa revela uma mudança fundamental nas prioridades de investimento: 61% dos fundos afirmam que mais de 60% de seus novos investimentos nos últimos 12 meses foram em empresas com IA no core do produto. Esta não é apenas uma tendência passageira – representa uma reconfiguração estrutural do que os investidores consideram atrativo.

    Para os empreendedores, isso cria um novo paradigma. Não basta mais adicionar funcionalidades de IA como um diferencial competitivo superficial. Os VCs estão procurando empresas que nascem com a inteligência artificial como parte fundamental de sua arquitetura de negócios. O estudo mostra que 78% das startups já incorporaram IA ao seu produto principal, sendo que 59% nasceram como empresas nativas em IA.

    Outro aspecto crucial é a adoção de agentes de IA. Segundo o levantamento, 57% dos VCs afirmam que mais de 25% de seu portfólio já está implementando agentes autônomos, e 33% dizem que mais da metade de suas empresas investidas já operam com essa tecnologia. Para startups em fase inicial, isso significa que demonstrar capacidade de implementar e escalar soluções baseadas em agentes pode ser um diferencial decisivo na captação de recursos.

    Como as startups estão respondendo

    Do lado das startups, a resposta tem sido igualmente impressionante. O estudo mostra que 99% das empresas utilizam IA ao menos internamente, enquanto 74% colocam a tecnologia no centro de sua estratégia de negócios. Esta adoção massiva reflete não apenas a pressão dos investidores, mas também o reconhecimento de que a IA é fundamental para competir em escala.

    Interessantemente, as startups latino-americanas também mostram preferência pelo Claude (83% de adoção) sobre o ChatGPT (66%). Para desenvolvimento de software especificamente, o Claude Code lidera com 69% de adoção. Esta convergência entre as ferramentas usadas por VCs e startups sugere um alinhamento importante no ecossistema.

    A adoção de agentes de IA é outro indicador relevante: 72% das startups já utilizam ou estão testando agentes autônomos, enquanto apenas 9% afirmam não ter planos de adotá-los. Isso demonstra que o ecossistema está se movendo rapidamente para além dos chatbots e assistentes básicos, explorando aplicações mais sofisticadas e autônomas da tecnologia.

    Implicações para o mercado brasileiro

    Para o ecossistema brasileiro de startups, estas tendências têm implicações profundas. Primeiro, empreendedores precisam entender que seus pitches estão sendo pré-filtrados por sistemas de IA antes de chegarem aos tomadores de decisão. Isso significa que a clareza na comunicação, o uso de métricas padronizadas e a estruturação adequada de dados tornaram-se ainda mais críticos.

    Segundo, a pressão para incorporar IA de forma significativa ao modelo de negócios é real e imediata. Startups que ainda tratam IA como um add-on opcional podem encontrar dificuldades crescentes para atrair investimento. Por outro lado, empresas que conseguem demonstrar uso inovador e escalável da tecnologia têm uma vantagem competitiva clara.

    Terceiro, o domínio de ferramentas específicas como Claude pode se tornar um diferencial. Empreendedores que entendem profundamente as capacidades e limitações das ferramentas preferidas pelos VCs podem estruturar melhor suas apresentações e demonstrações de produto.

    Como observa Jimena Pardo, Managing Partner da Hi Ventures, a América Latina entra nesta transição tecnológica em posição de força. As taxas de adoção de IA na região rivalizam com economias muito mais ricas, e décadas de experiência construindo negócios em ambientes complexos e com recursos limitados podem se transformar em vantagem competitiva na era da IA.

    O futuro dos investimentos em tecnologia

    A transformação documentada pelo estudo vai além de uma simples adoção de ferramentas. Representa uma mudança fundamental na natureza dos investimentos em tecnologia na América Latina. Os VCs não estão apenas usando IA para ser mais eficientes – estão redefinindo o que consideram uma oportunidade de investimento atrativa.

    Para os próximos anos, podemos esperar uma aceleração ainda maior desta tendência. À medida que os modelos de IA se tornam mais sofisticados, os fundos desenvolverão sistemas proprietários ainda mais complexos para análise de investimentos. Startups que não se adaptarem a esta realidade podem ficar progressivamente marginalizadas no acesso a capital.

    Por outro lado, esta transformação também cria oportunidades únicas. Startups que conseguem gerar dados proprietários difíceis de replicar, especialmente aqueles relacionados às complexidades específicas dos mercados latino-americanos, podem ter uma vantagem defensável significativa. A combinação de tecnologia de ponta com conhecimento profundo do mercado local pode ser a fórmula vencedora.

    Conclusão

    A adoção massiva de IA pelos fundos de venture capital latino-americanos marca um ponto de inflexão no ecossistema de inovação da região. Com 91% dos VCs usando IA para análise de investimentos e a maioria priorizando startups com IA no core, o cenário para empreendedores mudou definitivamente.

    Para fundadores de startups, a mensagem é clara: a IA não é mais opcional. Seja na estruturação do negócio, na apresentação para investidores ou na própria solução oferecida ao mercado, a inteligência artificial precisa estar presente de forma significativa e estratégica. Aqueles que entenderem e abraçarem esta nova realidade estarão melhor posicionados para captar recursos e escalar seus negócios.

    O estudo da Hi Ventures não apenas documenta uma tendência – ele sinaliza o início de uma nova era para o venture capital na América Latina, onde a tecnologia não é apenas o objeto de investimento, mas a própria ferramenta que define quem recebe investimento. Para o ecossistema brasileiro, rico em talentos e oportunidades, este pode ser o momento de consolidar sua posição como líder regional em inovação baseada em IA.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em InfoMoney, disponível em https://www.infomoney.com.br/business/startups-mais-de-90-dos-fundos-de-vc-usam-ia-para-analisar-investimentos/.

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