Visa rastreia US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude com IA avançada

    Tempo de leitura: 4 minutesUnidade antigolpe da Visa identificou US$ 2,6 bilhões em fraudes usando IA avançada. No Brasil, prejuízos com golpes já somam R$ 10,1 bilhões em 2024.

    15 de junho de 2026

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    Visa rastreia US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude com IA avançada
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    Introdução

    A guerra contra fraudes financeiras acaba de ganhar novos números impressionantes. A unidade antigolpe da Visa, conhecida como Visa Scam Disruption (VSD), identificou mais de US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude desde sua criação há pouco mais de dois anos. O resultado chama atenção especialmente no contexto brasileiro, onde os prejuízos com golpes já ultrapassaram R$ 10,1 bilhões em 2024, representando um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

    A tecnologia desenvolvida pela gigante dos pagamentos representa uma nova fronteira no combate às fraudes financeiras, utilizando inteligência artificial e análise de dados em tempo real para identificar e interromper golpes antes mesmo que eles atinjam os consumidores. Com um crescimento de 22% nas detecções durante o segundo semestre de 2025, o sistema demonstra sua eficácia crescente em um cenário onde criminosos digitais se tornam cada vez mais sofisticados.

    Como funciona a tecnologia antigolpe da Visa

    O Visa Scam Disruption opera como um centro de inteligência que cruza dados de toda a rede global da empresa. Diferentemente dos sistemas tradicionais que identificam fraudes após sua ocorrência, esta tecnologia utiliza algoritmos de machine learning para detectar padrões suspeitos em tempo real, mesmo quando as transações aparentam ser completamente legítimas.

    A equipe especializada analisa comportamentos atípicos, correlações entre diferentes transações e identificadores únicos que sinalizam atividades fraudulentas organizadas. Quando o sistema detecta uma possível rede de golpes, os especialistas da Visa trabalham diretamente com bancos, adquirentes e autoridades para desarticularas operações criminosas antes que causem prejuízos significativos aos consumidores.

    Um exemplo prático dessa atuação foi a identificação de um golpe de “pesquisa” que circulava amplamente em redes sociais. Os criminosos ofereciam produtos como caixas de beleza, câmeras digitais e kits de ferramentas a preços extremamente atrativos. Após a compra inicial de baixo valor, os consumidores eram automaticamente inscritos em cobranças recorrentes de valores muito superiores, sem seu conhecimento ou consentimento.

    Desarticulação de redes criminosas internacionais

    A investigação do golpe de “pesquisa” revelou a complexidade das operações fraudulentas modernas. O time da Visa identificou aproximadamente 1.000 comerciantes diferentes operando através de 21 adquirentes europeus, todos conectados a uma única rede criminosa. Esta organização foi responsável por ganhos fraudulentos estimados em US$ 100 milhões (aproximadamente 85 milhões de euros).

    A escala dessa operação demonstra como os golpes financeiros evoluíram de ações isoladas para estruturas empresariais criminosas sofisticadas, com múltiplas camadas de intermediários e sistemas complexos de lavagem de dinheiro. A capacidade de rastrear e conectar essas diferentes entidades através de análise de dados representa um avanço significativo no combate ao crime financeiro organizado.

    Michael Jabarra, vice-presidente sênior de Risco e Controle do Ecossistema de Pagamentos da Visa, enfatizou a importância dessa abordagem proativa: “Golpes são globais, adaptáveis e velozes, e combatê-los exige o mesmo nível de agilidade e coordenação. Os US$ 2,6 bilhões em atividade de golpe que identificamos mostram tanto a escala do desafio quanto o valor de interrompê-lo na origem”.

    O cenário brasileiro de fraudes digitais

    No Brasil, a situação das fraudes financeiras apresenta números alarmantes. Segundo dados da Febraban, os prejuízos com golpes financeiros somaram R$ 10,1 bilhões em 2024, representando um crescimento de 17% em comparação aos R$ 8,6 bilhões registrados em 2023. Esse aumento ocorre mesmo com o investimento crescente em tecnologias de segurança por parte das instituições financeiras.

    O Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro que revolucionou as transações financeiras no país, também se tornou alvo preferencial dos criminosos. As fraudes envolvendo o Pix cresceram 43% e alcançaram R$ 2,7 bilhões em prejuízos, evidenciando como as inovações tecnológicas podem ser rapidamente exploradas por criminosos quando não acompanhadas de medidas de segurança adequadas.

    A Visa opera ativamente no mercado brasileiro e recentemente expandiu sua atuação com o lançamento de uma plataforma de pagamentos corporativos sem cartão físico. A aplicação da tecnologia VSD no Brasil pode representar um importante aliado no combate às fraudes, especialmente considerando a sofisticação crescente dos golpes aplicados no país.

    Tendências globais no combate a fraudes

    A estratégia da Visa não é isolada no setor financeiro. Outras grandes instituições bancárias globais também estão investindo pesadamente em inteligência artificial para combate a fraudes em tempo real. Bancos como o Lloyds Banking Group implementaram agentes de IA capazes de intervir durante tentativas de golpe, alertando clientes sobre possíveis riscos antes que completem transações suspeitas.

    No Brasil, instituições financeiras já começam a adotar sistemas similares, enviando alertas em tempo real para empresas quando detectam movimentações atípicas ou tentativas de fraude. Essa convergência de esforços entre diferentes players do mercado financeiro cria uma rede de proteção mais robusta contra criminosos digitais.

    Implicações para o mercado de pagamentos

    O sucesso da unidade VSD em identificar bilhões em tentativas de fraude tem implicações significativas para todo o ecossistema de pagamentos. Primeiramente, demonstra que investimentos em tecnologia de prevenção podem gerar retornos substanciais, não apenas em termos de valores protegidos, mas também na manutenção da confiança do consumidor nos sistemas de pagamento digital.

    Para comerciantes e adquirentes, a tecnologia representa uma camada adicional de proteção que pode reduzir chargebacks e disputas, além de proteger a reputação de estabelecimentos legítimos que poderiam ser confundidos com operações fraudulentas. A capacidade de identificar redes criminosas complexas também ajuda a criar um ambiente de negócios mais seguro e transparente.

    Do ponto de vista regulatório, os resultados obtidos pela Visa podem influenciar políticas públicas e regulamentações sobre segurança em pagamentos digitais. A demonstração de que é possível identificar e prevenir fraudes em grande escala através de tecnologia pode acelerar a adoção de padrões mais rigorosos de segurança em todo o setor.

    O futuro da segurança em pagamentos digitais

    A evolução das tecnologias antigolpe aponta para um futuro onde a prevenção será cada vez mais baseada em inteligência artificial e análise preditiva. Os sistemas de machine learning continuam aprendendo com cada tentativa de fraude identificada, tornando-se progressivamente mais eficazes na detecção de novos padrões criminosos.

    A integração entre diferentes instituições financeiras e processadores de pagamento será fundamental para criar uma rede de inteligência compartilhada capaz de identificar ameaças emergentes rapidamente. Iniciativas como o VSD da Visa representam apenas o início dessa transformação, com potencial para expansão significativa nos próximos anos.

    Para o consumidor brasileiro, essas tecnologias prometem maior segurança nas transações digitais, mas também exigem educação contínua sobre práticas seguras de pagamento. A combinação de tecnologia avançada com conscientização do usuário criará um ambiente mais resistente a fraudes.

    Conclusão

    A identificação de US$ 2,6 bilhões em tentativas de fraude pela unidade Visa Scam Disruption marca um importante avanço na batalha contra crimes financeiros digitais. Em um contexto onde o Brasil enfrenta prejuízos bilionários com golpes, tecnologias como esta representam ferramentas essenciais para proteger consumidores e manter a integridade do sistema financeiro.

    O sucesso da iniciativa demonstra que a combinação de inteligência artificial, análise de big data e expertise humana pode efetivamente combater redes criminosas sofisticadas. À medida que os golpes se tornam mais complexos e globalizados, a resposta do setor financeiro precisa ser igualmente ágil e coordenada. O futuro da segurança em pagamentos digitais dependerá cada vez mais dessas tecnologias proativas, capazes de identificar e neutralizar ameaças antes que causem danos significativos aos consumidores e à economia.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em fonte-web, disponível em https://www.letsmoney.com.br/noticias/visa-cerco-golpes-2-6-bilhoes/.

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