Introdução
A transformação digital nas empresas frequentemente esbarra em um desafio crítico: como fazer com que os funcionários realmente adotem e usem as novas tecnologias no dia a dia. A seguradora holandesa Univé encontrou uma resposta impressionante para esse dilema, alcançando 97% de ativação das licenças do ChatGPT Enterprise e 85% de usuários ativos semanalmente. O caso oferece lições valiosas para empresas brasileiras que buscam implementar IA generativa em escala, mostrando que o sucesso vai muito além da escolha da tecnologia certa.
Como uma das maiores seguradoras cooperativas da Holanda, a Univé atende milhões de membros em seguros, hipotecas, serviços financeiros e prevenção de riscos. Mas o que torna seu caso especialmente relevante é a abordagem: em vez de tratar a IA como mais um projeto de TI, a empresa encarou como uma transformação organizacional profunda, focada em capacitar cada funcionário a usar IA de forma segura, responsável e efetiva.
Liderança como catalisador da mudança
O primeiro diferencial da Univé foi começar pelo topo. Em vez de delegar a implementação da IA para o departamento de tecnologia, a empresa reuniu toda sua comunidade gerencial para sessões dedicadas de liderança em IA. Essas reuniões não eram demonstrações de produto ou treinamentos técnicos superficiais.
Os líderes foram desafiados a repensar fundamentalmente como o trabalho seria realizado em suas áreas e qual papel eles desempenhariam para viabilizar essa transformação. O foco mudou de simplesmente aprovar iniciativas de IA para criar ativamente as condições necessárias para inovação responsável em suas equipes.
Essa abordagem contrasta com o padrão brasileiro, onde muitas empresas ainda tratam IA como responsabilidade exclusiva da TI ou de uma área de inovação isolada. O caso da Univé demonstra que, quando a liderança assume protagonismo na transformação, os resultados em escala se tornam possíveis.
Governança como acelerador, não como barreira
Um dos insights mais valiosos do caso Univé é o papel da governança. Em muitas organizações brasileiras, governança é sinônimo de burocracia e lentidão. A seguradora holandesa inverteu essa lógica: a governança foi desenhada desde o primeiro dia como facilitadora da inovação.
A empresa implementou autenticação empresarial, herança de permissões de conectores, avaliações de privacidade, processos de governança, revisões de segurança, princípios de IA responsável, monitoramento contínuo e clara responsabilidade humana. Crucialmente, as permissões do ChatGPT Enterprise sempre seguem os sistemas empresariais subjacentes, impedindo que a IA acesse informações além do que os funcionários já estão autorizados a ver.
Esse framework robusto criou a confiança necessária para que os funcionários experimentassem livremente. Como explica Yous van Halder, Diretor de Dados e IA da Univé: “A maioria das organizações tenta escalar IA construindo mais soluções. Nós escolhemos escalar IA criando mais construtores.”
Funcionários como protagonistas da inovação
Com liderança engajada e governança sólida, os funcionários se tornaram os verdadeiros motores da transformação. A Univé não exigiu casos de negócio detalhados para cada nova ideia. Em vez disso, deu aos funcionários permissão, estrutura e tempo dedicado para repensar seus próprios processos de trabalho.
Os números falam por si: os funcionários criaram aproximadamente 1.500 GPTs customizados para resolver desafios internos. Coletivamente, dedicam centenas de horas semanais redesenhando trabalho com ChatGPT Enterprise, experimentando com Workspace Agents e compartilhando abordagens bem-sucedidas com colegas.
Hoje, o ChatGPT Enterprise apoia trabalho de conhecimento em praticamente todas as funções do negócio – de sinistros e subscrição até finanças, RH, jurídico, TI, atendimento ao cliente e gestão. Essa adoção orgânica e distribuída reflete uma mudança cultural profunda: os funcionários cada vez mais resolvem desafios operacionais por conta própria, em vez de esperar por projetos centralizados de desenvolvimento.
Casos de uso transformadores em ação
O impacto prático dessa transformação fica evidente em casos específicos. No processamento de sinistros de seguro pet, um Workspace Agent agora monta o arquivo do sinistro, revisa faturas veterinárias, verifica condições da apólice, identifica informações faltantes, destaca anomalias e prepara uma recomendação rastreável antes mesmo do analista começar sua avaliação.
Trabalho que anteriormente levava horas para preparar agora está pronto para decisão em minutos. Mas há um detalhe crucial: o profissional treinado permanece totalmente responsável por cada decisão final. A IA prepara o trabalho; as pessoas tomam a decisão. Esse modelo preserva a accountability humana enquanto maximiza eficiência.
Na subscrição de seguros, outro Workspace Agent revisa a fila de trabalho antes do início do expediente, combina informações de fontes empresariais aprovadas, identifica documentação faltante, sinaliza indicadores de risco e destaca casos que requerem atenção prioritária. Quando o subscritor faz login, encontra a fila já estruturada, com contexto relevante, evidências por trás das recomendações e áreas específicas onde o julgamento profissional é necessário.
O futuro: de prompts para agentes autônomos
A Univé já está explorando a próxima fase da IA empresarial através de Workspace Agents. Esses fluxos de trabalho agênticos são projetados para preparar proativamente trabalho recorrente através de sistemas empresariais aprovados – reunindo informações, destacando contexto relevante e criando pontos de partida baseados em evidências antes dos funcionários começarem o dia.
Essa evolução de prompts manuais para agentes proativos representa o futuro do trabalho de conhecimento. Mas mesmo nessa nova fase, cada aplicação continua sendo avaliada dentro do framework de governança da empresa para garantir que segurança, accountability e IA responsável permaneçam centrais à adoção.
Implicações para o mercado brasileiro
O caso Univé oferece um roteiro valioso para empresas brasileiras que buscam transformação real com IA, não apenas implementação tecnológica. Primeiro, trata IA como capacidade organizacional, não como projeto de TI. Segundo, investe em líderes tanto quanto em tecnologia – a liderança cria as condições para transformação.
Terceiro, desenha governança como aceleradora, não como barreira. Guardrails fortes permitem que a inovação escale com responsabilidade. Quarto, dá aos funcionários permissão, tempo e estrutura para redesenhar seu próprio trabalho. E quinto, mede sucesso por adoção sustentada e capacidade dos funcionários, não apenas por métricas de produtividade.
Para o contexto brasileiro, onde muitas empresas ainda lutam com transformações digitais básicas, o caso mostra que pular etapas pode ser contraproducente. O sucesso da Univé não veio de implementar a tecnologia mais avançada, mas de criar as condições organizacionais certas para que a tecnologia fosse adotada e usada efetivamente.
Lições práticas para implementação
Empresas brasileiras interessadas em replicar o sucesso da Univé devem considerar alguns pontos práticos. Primeiro, comece com sessões de liderança focadas em transformação do trabalho, não em demonstrações de produto. Segundo, implemente governança desde o dia um – ela dará aos funcionários confiança para experimentar responsavelmente.
Terceiro, aloque tempo específico para experimentação, não apenas acesso à tecnologia. Quarto, crie mecanismos para que funcionários compartilhem sucessos e aprendizados entre equipes. E quinto, mantenha humanos no centro das decisões críticas – IA prepara, pessoas decidem.
O diretor de Dados e IA da Univé resume a filosofia: “Nossa vantagem competitiva não é que usamos IA. É que milhares de funcionários estão aprendendo como reinventar seu próprio trabalho toda semana.”
Conclusão
A transformação da Univé demonstra que o verdadeiro poder da IA generativa nas empresas não está na tecnologia em si, mas na capacidade de mobilizar toda a força de trabalho para repensar e melhorar continuamente seus processos. Com 97% de licenças ativadas e 85% de uso semanal ativo, a empresa prova que é possível alcançar adoção em massa quando se combina liderança engajada, governança robusta e empoderamento dos funcionários.
Para empresas brasileiras navegando a era da IA, a mensagem é clara: o sucesso não virá de implementar as ferramentas mais sofisticadas, mas de criar as condições organizacionais certas para que pessoas comuns façam coisas extraordinárias com IA. Como conclui van Halder: “IA não substituirá seus funcionários. Mas funcionários que aprendem a construir com IA redefinirão do que sua organização é capaz.”
Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em OpenAI, disponível em https://openai.com/index/unive.



