Oratomic levanta US$ 300 milhões para criar computador quântico viável com apenas 20 mil qubits

    Tempo de leitura: 4 minutesOratomic levanta US$ 300 milhões para desenvolver computador quântico comercial com apenas 20 mil qubits, prometendo acelerar drasticamente a chegada da tecnologia ao mercado corporativo.

    10 de julho de 2026

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    Oratomic levanta US$ 300 milhões para criar computador quântico viável com apenas 20 mil qubits
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    Introdução

    A corrida pela supremacia quântica acaba de ganhar um novo protagonista com potencial disruptivo. A Oratomic, startup fundada por físicos do Caltech, anunciou uma rodada Serie A de US$ 300 milhões para desenvolver o que promete ser o primeiro computador quântico comercialmente viável até o final desta década. O diferencial? Enquanto outras empresas apostam que serão necessários milhões de qubits para alcançar utilidade prática, a Oratomic afirma precisar de apenas 20 mil qubits – uma redução de duas ordens de magnitude que pode acelerar drasticamente a chegada da computação quântica ao mercado corporativo brasileiro.

    A rodada foi co-liderada por ARCH Venture Partners, Spark Capital e Khosla Ventures, com participação de Bezos Expeditions, Index Ventures, General Catalyst, Lowercarbon Capital e Bain Capital. O valor expressivo do investimento – um dos maiores já realizados em uma startup de computação quântica em estágio inicial – reflete a confiança dos investidores na abordagem revolucionária da empresa.

    A revolução dos átomos aprisionados por laser

    A tecnologia da Oratomic se baseia em uma abordagem elegante: utilizar lasers como ‘pinças ópticas’ para manter átomos individuais em posições específicas, criando assim os qubits necessários para processamento quântico. Essa técnica, desenvolvida pelos fundadores durante suas pesquisas no California Institute of Technology, representa um avanço significativo em relação aos métodos tradicionais.

    O CEO e co-fundador Dolev Bluvstein revelou que a descoberta fundamental foi na área de correção de erros quânticos – o calcanhar de Aquiles da computação quântica. Os computadores quânticos são extremamente sensíveis a interferências externas, o que torna a correção de erros essencial para operações confiáveis. A equipe da Oratomic descobriu uma forma de realizar essa correção com drasticamente menos qubits do que se acreditava necessário.

    Para contextualizar a magnitude dessa descoberta: imagine que, para construir um prédio de 100 andares, descobríssemos uma técnica que permite usar apenas 2% do concreto originalmente calculado, mantendo a mesma resistência e segurança. É esse tipo de salto de eficiência que a Oratomic promete trazer para a computação quântica.

    Estratégia diferenciada no mercado quântico

    Enquanto empresas como IBM, Google e Rigetti disponibilizam protótipos de computadores quânticos NISQ (Noisy Intermediate-Scale Quantum) para pesquisadores e corporações experimentarem, a Oratomic escolheu um caminho radicalmente diferente. A empresa não planeja desenvolver ou comercializar sistemas NISQ, focando exclusivamente em criar um computador quântico totalmente funcional e tolerante a falhas.

    Essa estratégia contrasta especialmente com a PsiQuantum, outra startup que também está pulando a fase NISQ, mas que foi avaliada em US$ 7 bilhões e promete entregar um computador quântico de um milhão de qubits até o final do próximo ano. Bluvstein argumenta que a abordagem da Oratomic é fundamentalmente mais simples e econômica: ‘A diferença é que precisamos de aproximadamente 10 mil a 20 mil qubits para construir um computador útil, e já demonstramos experimentalmente todos os componentes principais necessários em uma escala ligeiramente menor.’

    Para empresas brasileiras nos setores farmacêutico, financeiro e logístico, essa diferença é crucial. Um sistema que requer 50 vezes menos qubits não apenas chegará ao mercado mais rapidamente, mas também terá custos operacionais significativamente menores, tornando a tecnologia acessível a um número muito maior de organizações.

    O momento de inflexão da computação quântica

    O timing do anúncio da Oratomic não é coincidência. O setor de computação quântica está vivendo um momento de efervescência sem precedentes. Várias startups da área, incluindo Infleqtion e Quantinuum, abriram capital este ano, enquanto empresas públicas estabelecidas como Rigetti e IonQ viram suas ações disparar nos últimos 18 meses.

    Esse entusiasmo do mercado reflete uma mudança de percepção: a computação quântica está deixando de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade iminente. A confiança de Vinod Khosla, investidor veterano do Vale do Silício, é emblemática – ele declarou publicamente que o investimento na Oratomic foi o ‘maior investimento inicial’ de sua firma até hoje, apostando que a empresa construirá o primeiro computador quântico verdadeiramente tolerante a falhas.

    O mercado brasileiro precisa estar atento a essa transição. Setores como o financeiro, que dependem de complexos modelos de risco e otimização de portfólio, podem se beneficiar enormemente. Da mesma forma, a indústria farmacêutica nacional poderia acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos, enquanto empresas de logística poderiam otimizar rotas e operações em níveis impossíveis com computação clássica.

    Implicações para o mercado brasileiro

    A promessa de um computador quântico viável com apenas 20 mil qubits tem implicações profundas para o ecossistema tecnológico brasileiro. Primeiro, reduz drasticamente a barreira de entrada para adoção corporativa. Enquanto um sistema de milhões de qubits exigiria infraestrutura e investimentos proibitivos para a maioria das empresas, um sistema mais compacto poderia ser acessível via cloud computing ou até mesmo instalações locais em grandes corporações.

    Segundo, acelera o timeline para aplicações práticas. Com a abordagem da Oratomic, podemos ver os primeiros casos de uso comercial já na segunda metade desta década, ao invés da próxima. Isso significa que empresas brasileiras precisam começar agora a desenvolver competências em algoritmos quânticos e identificar casos de uso em suas operações.

    Terceiro, cria oportunidades para o desenvolvimento de um ecossistema local. Universidades brasileiras com programas de física quântica, como USP, UFRJ e UFMG, podem estabelecer parcerias para pesquisa e desenvolvimento. Startups focadas em software quântico também encontrarão um mercado mais maduro e acessível.

    Os desafios que permanecem

    Apesar do otimismo, é importante manter uma perspectiva equilibrada. A Oratomic ainda precisa provar que sua tecnologia funciona em escala comercial. A transição de demonstrações laboratoriais para sistemas de produção é sempre desafiadora, especialmente em uma área tão complexa quanto a computação quântica.

    Além disso, mesmo com a redução dramática no número de qubits necessários, construir um sistema com 20 mil qubits tolerante a falhas ainda é uma tarefa hercúlea. Cada qubit precisa ser controlado com precisão extrema, e o sistema como um todo precisa operar em temperaturas próximas ao zero absoluto, exigindo infraestrutura criogênica sofisticada.

    Há também a questão da competição. Gigantes tecnológicos como Google, IBM e Microsoft investem bilhões em suas próprias abordagens para computação quântica. Startups chinesas também estão avançando rapidamente, com apoio substancial do governo. A Oratomic precisará executar impecavelmente para manter sua vantagem tecnológica.

    Conclusão

    O investimento de US$ 300 milhões na Oratomic marca um ponto de inflexão na jornada rumo à computação quântica prática. A promessa de alcançar utilidade comercial com apenas 20 mil qubits, se concretizada, pode acelerar em anos a chegada dessa tecnologia transformadora ao mercado. Para o Brasil, isso representa tanto uma oportunidade quanto um imperativo: empresas e instituições precisam começar agora a se preparar para um futuro onde problemas computacionalmente intratáveis se tornarão solucionáveis. A corrida quântica não é mais sobre se a tecnologia funcionará, mas sobre quem estará preparado para aproveitá-la quando ela chegar. E esse momento pode estar muito mais próximo do que imaginávamos.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em TechCrunch, disponível em https://techcrunch.com/2026/07/10/oratomic-raises-300m-to-build-a-viable-quantum-computer-that-needs-only-20k-qubits/.

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