Natural levanta US$ 30 milhões para criar infraestrutura de pagamentos para agentes de IA

    Tempo de leitura: 4 minutesNatural levanta US$ 30 milhões para desenvolver infraestrutura de pagamentos para agentes de IA autônomos, desafiando gigantes como Stripe em um mercado que pode crescer exponencialmente.

    21 de julho de 2026

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    Natural levanta US$ 30 milhões para criar infraestrutura de pagamentos para agentes de IA
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    Introdução

    O mercado de inteligência artificial está prestes a enfrentar um novo desafio fundamental: como permitir que agentes autônomos realizem transações financeiras sem intervenção humana. A startup Natural acaba de levantar US$ 30 milhões em uma rodada Série A liderada pela Forerunner Ventures para resolver exatamente esse problema, desenvolvendo uma infraestrutura de pagamentos projetada especificamente para agentes de IA. A empresa, que agora totaliza US$ 40 milhões em financiamento, está se posicionando para competir diretamente com gigantes como Stripe em um mercado que pode ser ordens de magnitude maior que o atual.

    O problema da infraestrutura financeira tradicional

    Os agentes de IA estão evoluindo rapidamente e já conseguem executar tarefas complexas como identificar fornecedores, comparar preços, negociar condições e organizar entregas. No entanto, quando chega o momento de efetuar o pagamento, eles esbarram em uma limitação fundamental: toda a infraestrutura financeira atual foi construída para transações iniciadas por humanos.

    Os sistemas tradicionais de pagamento, incluindo cartões de crédito e transferências ACH, dependem de autorização humana para cada transação. Isso cria um gargalo significativo para agentes projetados para operar de forma autônoma. É como ter um assistente extremamente competente que pode fazer tudo, exceto assinar o cheque no final.

    Essa limitação não é apenas técnica, mas estrutural. Os rails financeiros – a infraestrutura subjacente que move dinheiro e informações entre bancos, empresas e consumidores – foram desenvolvidos ao longo de décadas com a premissa de que sempre haveria um humano no loop para autorizar, verificar e disputar transações quando necessário.

    A visão da Natural para pagamentos autônomos

    A Natural está abordando esse desafio de forma ambiciosa: redesenhando todo o sistema de pagamentos do zero. Fundada em 2025 por Kahlil Lalji, Eric Wang e Walt Leung, a empresa se posiciona como uma camada de orquestração que permite que agentes de IA movam e armazenem fundos de forma autônoma.

    Lalji, CEO e co-fundador da empresa, tem experiência no setor financeiro. Sua startup anterior, Ivella, focada em produtos bancários para casais, foi vendida para a Earnin em 2023. Apesar de inicialmente querer evitar o setor financeiro após o fim da era de juros zero, ele percebeu que os pagamentos agênticos seriam “estruturalmente o problema mais importante” no espaço de IA.

    A solução da Natural vai além de simplesmente permitir que agentes façam pagamentos. A empresa está repensando toda a arquitetura de pagamentos, incluindo como as transações disputadas são tratadas – um aspecto crítico quando não há humanos diretamente envolvidos nas transações.

    O mercado potencial e a competição

    O que torna essa oportunidade particularmente atrativa para investidores como Kirsten Green, da Forerunner Ventures, é o potencial de crescimento exponencial do mercado. Lalji acredita que quando as transações acontecerem na velocidade dos computadores, em vez da velocidade humana, o número de pagamentos no mundo pode ser “duas, três ou quatro ordens de magnitude maior” que hoje.

    Isso não é apenas especulação. À medida que mais empresas implementam agentes de IA para automatizar processos, a demanda por infraestrutura financeira compatível cresce exponencialmente. Imagine milhões de agentes negociando entre si, otimizando cadeias de suprimentos, rebalanceando estoques e executando micro-transações em tempo real.

    A Natural não está sozinha nessa corrida. A própria Stripe, gigante dos pagamentos online, está desenvolvendo soluções para agentes de IA. Outras startups, como a Skyfire Systems (apoiada pela DCVC), estão explorando o uso de stablecoins baseadas em dólar para criar essa nova infraestrutura. Enquanto a Natural planeja incorporar stablecoins em sua arquitetura, ela também está construindo suporte para pagamentos bancários tradicionais, oferecendo uma abordagem mais abrangente.

    Implicações para o mercado brasileiro

    Para o mercado brasileiro, o desenvolvimento dessa infraestrutura tem implicações profundas. Empresas que estão implementando agentes de IA para automação de processos precisarão considerar como esses agentes interagirão com fornecedores, clientes e outros agentes financeiramente.

    No contexto do Pix e do Open Finance brasileiro, já temos uma infraestrutura de pagamentos mais moderna que muitos países. Isso pode representar uma vantagem competitiva se empresas locais conseguirem adaptar essas tecnologias para trabalhar com agentes autônomos. Por outro lado, a dependência de soluções internacionais como as da Natural pode criar novos desafios regulatórios e de integração.

    Setores como e-commerce, logística e manufatura, que já estão explorando automação via IA, serão os primeiros a sentir o impacto. Imagine um agente de compras corporativo que não apenas identifica os melhores fornecedores e negocia preços, mas também executa pedidos e pagamentos automaticamente, respeitando políticas da empresa e limites de gastos.

    Os desafios técnicos e regulatórios

    Criar uma infraestrutura de pagamentos para agentes de IA não é apenas um desafio técnico. Há questões fundamentais sobre responsabilidade, segurança e conformidade que precisam ser resolvidas. Quem é responsável quando um agente faz uma transação incorreta? Como prevenir fraudes quando não há humanos verificando cada pagamento? Como garantir que os agentes respeitem regulamentações financeiras complexas?

    A Natural atraiu talentos seniores de empresas como Stripe, Ramp e Square, sugerindo que está levando esses desafios a sério. A empresa operou em beta até agora, mas Lalji afirma que já tomaram decisões arquiteturais críticas que lhes dão “uma boa chance” de competir com incumbentes.

    Para o mercado brasileiro, isso levanta questões sobre como o Banco Central e outros reguladores responderão a essa nova categoria de participantes do sistema financeiro. Será necessário criar novos frameworks regulatórios para agentes de IA? Como garantir a proteção do consumidor quando as transações são iniciadas por máquinas?

    O futuro dos pagamentos autônomos

    A velocidade de desenvolvimento nesse espaço é impressionante. A Natural foi fundada apenas em 2025 e já está posicionada para desafiar gigantes estabelecidos. Isso reflete tanto a urgência do problema quanto o potencial do mercado.

    À medida que mais empresas adotam agentes de IA, a pressão por soluções de pagamento compatíveis só aumentará. Isso pode acelerar a adoção de novas tecnologias financeiras e forçar uma modernização ainda mais rápida da infraestrutura bancária tradicional.

    Para profissionais e empresas brasileiras, é crucial começar a pensar em como essa mudança afetará seus modelos de negócio. Empresas de software precisarão considerar como integrar capacidades de pagamento autônomo. Instituições financeiras precisarão avaliar se devem desenvolver soluções próprias ou fazer parcerias com startups especializadas.

    Conclusão

    O investimento de US$ 30 milhões na Natural sinaliza que o mercado está levando a sério a necessidade de uma nova infraestrutura financeira para a era dos agentes de IA. Não se trata apenas de uma melhoria incremental nos sistemas de pagamento existentes, mas de uma reimaginação fundamental de como o dinheiro se move em um mundo onde máquinas podem tomar decisões financeiras autônomas.

    Para o Brasil, isso representa tanto uma oportunidade quanto um desafio. Nossa infraestrutura de pagamentos relativamente moderna pode nos dar vantagens, mas precisaremos de agilidade regulatória e inovação técnica para não ficarmos para trás nessa nova onda. As empresas que começarem a se preparar agora para um futuro onde agentes de IA são participantes ativos do sistema financeiro estarão melhor posicionadas para aproveitar as oportunidades que surgirão.

    O que a Natural e seus competidores estão construindo hoje pode parecer ficção científica, mas em poucos anos pode ser tão comum quanto o Pix é hoje. A questão não é se os agentes de IA realizarão transações autônomas, mas quão rapidamente isso se tornará a norma e quem fornecerá a infraestrutura para que isso aconteça.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em TechCrunch, disponível em https://techcrunch.com/2026/07/20/natural-raises-30m-to-reinvent-payments-for-ai-agents-and-take-on-stripe/.

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