Gestores assumem protagonismo na transformação de IA nas empresas

    Tempo de leitura: 4 minutesPesquisa revela que 78% dos gestores se sentem responsáveis pela adoção de IA em suas equipes, com 77% economizando mais de 3 horas semanais usando ferramentas de inteligência artificial.

    17 de julho de 2026

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    Gestores assumem protagonismo na transformação de IA nas empresas
    Tempo de leitura: 4 minutes

    Introdução

    A transformação digital impulsionada pela inteligência artificial está redefinindo o papel dos gestores de nível médio nas organizações. Uma pesquisa recente da Salesforce com mais de 500 gerentes revelou que dois terços desses profissionais estão otimistas sobre o papel da IA no futuro do trabalho, com 78% sentindo-se pessoalmente responsáveis pela adoção bem-sucedida de ferramentas de IA por suas equipes. Este cenário contrasta com o ceticismo ainda presente entre trabalhadores americanos e destaca a importância crítica da liderança intermediária na jornada de transformação tecnológica das empresas.

    O novo papel dos gestores na era da IA

    Os gestores de nível médio estão experimentando benefícios tangíveis com o uso de ferramentas de inteligência artificial. Segundo a pesquisa, 77% dos gerentes relatam economizar mais de três horas por semana utilizando ferramentas de IA em suas rotinas. Essa economia de tempo não é apenas uma métrica de eficiência – representa uma mudança fundamental na natureza do trabalho gerencial.

    A transformação vai além da simples adoção de novas ferramentas. Os gestores estão liderando o que especialistas chamam de ‘transformação relacional’, um processo que envolve sete dimensões críticas: redesenho de processos, requalificação de funcionários, realocação de talentos para novos papéis, reestruturação organizacional e financeira, recuperação de valor anteriormente negligenciado, recalibração de métricas centradas em IA e redefinição do mandato de liderança com foco em controle de missão versus controle operacional.

    Essa abordagem multidimensional reflete a complexidade da implementação de IA nas organizações. Não se trata apenas de instalar novos softwares ou treinar modelos de machine learning – é uma transformação profunda que toca todos os aspectos do negócio, desde a estrutura organizacional até a cultura corporativa.

    Desafios e pressões na implementação

    Apesar do otimismo, os gestores enfrentam desafios significativos. A pesquisa revela que 51% dos gerentes sentem ansiedade sobre os casos de uso de IA e o ritmo acelerado de mudanças. Quase metade dos entrevistados relata pressão da alta liderança para demonstrar resultados concretos na adoção de IA, mas apenas 32% trabalham em empresas que rastreiam formalmente essa adoção.

    Essa desconexão entre expectativas e estruturas de suporte cria um ambiente desafiador. Os gestores estão sendo cobrados por resultados sem necessariamente ter os recursos, treinamento ou métricas adequadas para avaliar o progresso. É como pilotar um avião sem instrumentos de navegação – possível, mas arriscado e estressante.

    O contexto brasileiro adiciona camadas extras de complexidade. Enquanto economias emergentes demonstram maior confiança na IA, com 90% das pessoas esperando benefícios concretos, o Brasil enfrenta desafios únicos relacionados à infraestrutura tecnológica, disponibilidade de talentos especializados e diferenças regionais significativas no acesso à tecnologia.

    A lacuna de treinamento e desenvolvimento

    Um dos achados mais reveladores da pesquisa é a clara demanda por capacitação. Os gestores identificaram três necessidades principais: 37% buscam treinamento prático em IA, 35% querem uma estratégia organizacional de IA mais clara, e 34% precisam de melhor suporte técnico e de TI.

    Essa lacuna de treinamento é particularmente preocupante quando consideramos que os gestores se sentem responsáveis não apenas por sua própria adoção de IA, mas também pelo sucesso de suas equipes. Sem o conhecimento e as habilidades necessárias, eles não podem efetivamente liderar a transformação ou apoiar seus subordinados na jornada de aprendizado.

    No contexto brasileiro, onde o acesso a treinamento de qualidade em tecnologias emergentes pode ser limitado e caro, essa lacuna se torna ainda mais crítica. Empresas que investem em programas robustos de capacitação para seus gestores provavelmente terão vantagem competitiva significativa na corrida pela transformação digital.

    Casos de uso em evolução

    Os gestores estão expandindo o uso de IA além das aplicações tradicionais de eficiência. A análise de dados para tomada de decisões mais informadas está se tornando uma prática comum, assim como o uso de IA em projetos criativos e de pesquisa. Isso indica uma maturação no entendimento e aplicação da tecnologia.

    Por exemplo, gestores de marketing estão usando ferramentas de IA generativa não apenas para criar conteúdo, mas para analisar tendências de mercado e prever comportamentos de consumidores. Gerentes de RH estão aplicando IA para identificar padrões em dados de engajamento de funcionários e prever riscos de turnover. Líderes de operações utilizam modelos preditivos para otimizar cadeias de suprimentos e antecipar gargalos.

    Essa diversificação de casos de uso demonstra que a IA está deixando de ser vista apenas como uma ferramenta de automação para se tornar um parceiro estratégico na tomada de decisões e inovação empresarial.

    O que isso significa para o futuro do trabalho

    A pesquisa sugere uma mudança fundamental no papel dos gestores de nível médio. Eles estão evoluindo de supervisores operacionais para facilitadores de transformação tecnológica. Essa mudança requer não apenas novas habilidades técnicas, mas também competências em gestão de mudanças, comunicação e liderança adaptativa.

    Os gestores que conseguirem navegar com sucesso essa transição se tornarão ainda mais valiosos para suas organizações. Eles serão os tradutores entre a tecnologia e as pessoas, garantindo que a implementação de IA não apenas melhore a eficiência, mas também preserve e fortaleça a cultura organizacional e o engajamento dos funcionários.

    Para o mercado brasileiro, isso representa uma oportunidade única. Gestores que desenvolvem competências em IA agora estarão posicionados para liderar a próxima onda de inovação empresarial no país. Empresas que investem no desenvolvimento dessas competências em seus quadros gerenciais estarão criando uma vantagem competitiva sustentável.

    Superando o ceticismo organizacional

    Um aspecto crucial destacado pela pesquisa é o contraste entre o otimismo dos gestores e o ceticismo mais amplo dos trabalhadores, especialmente nos Estados Unidos. Estudos mostram que trabalhadores americanos são 43% mais propensos a serem céticos sobre IA do que a média global, citando preocupações sobre experiência do funcionário, falta de treinamento e desconfiança nos resultados gerados por IA.

    Os gestores têm um papel fundamental em superar esse ceticismo. Como líderes próximos às equipes operacionais, eles estão em posição única para demonstrar os benefícios práticos da IA, fornecer treinamento contextualizado e construir confiança gradualmente através de sucessos incrementais.

    No Brasil, onde a cultura organizacional muitas vezes valoriza relacionamentos pessoais e confiança interpessoal, o papel dos gestores como embaixadores da transformação digital é ainda mais crítico. Eles precisam equilibrar a adoção de tecnologia com a manutenção dos valores culturais e práticas que definem suas organizações.

    Conclusão

    A pesquisa da Salesforce revela uma verdade fundamental sobre a transformação digital: o sucesso da implementação de IA nas empresas depende criticamente dos gestores de nível médio. Eles são os catalisadores da mudança, responsáveis não apenas por adotar as ferramentas eles mesmos, mas por garantir que suas equipes façam a transição com sucesso.

    O caminho à frente requer investimento significativo em treinamento e desenvolvimento gerencial, criação de estratégias claras de IA organizacional e estabelecimento de métricas adequadas para medir o progresso. As empresas que reconhecerem e apoiarem o papel crítico de seus gestores nessa jornada estarão melhor posicionadas para colher os benefícios da revolução da IA.

    Para o mercado brasileiro, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. O desafio está em superar as barreiras de infraestrutura, conhecimento e recursos. A oportunidade está em desenvolver uma abordagem única para a transformação digital que combine o melhor da tecnologia global com as forças culturais e organizacionais locais. Os gestores que abraçarem esse desafio hoje serão os líderes da economia digital de amanhã.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em ZDNet, disponível em https://www.zdnet.com/article/managers-play-critical-role-in-ai-transformation/.

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