Coreia do Sul avança em estratégia nacional de IA com NVIDIA e parceiros globais

    Tempo de leitura: 4 minutesCoreia do Sul anuncia parcerias bilionárias com NVIDIA e gigantes tech para se tornar centro global de IA, com foco em infraestrutura, pesquisa e Physical AI.

    25 de julho de 2026

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    Coreia do Sul avança em estratégia nacional de IA com NVIDIA e parceiros globais
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    Introdução

    A Coreia do Sul está traçando um caminho ambicioso para se tornar um centro global de inovação em inteligência artificial, com parcerias estratégicas envolvendo a NVIDIA e grandes empresas de tecnologia. Durante o AI Summit em São Francisco, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung se reuniu com líderes do setor para definir os próximos passos dessa transformação nacional, que inclui investimentos massivos em infraestrutura de IA, pesquisa acadêmica e desenvolvimento de tecnologias de ponta.

    O movimento sul-coreano representa uma das mais agressivas estratégias nacionais de IA já vistas, com implicações diretas para a competitividade global no setor. Enquanto países como Estados Unidos e China disputam a liderança tecnológica, a Coreia do Sul está apostando em suas fortalezas históricas em semicondutores e manufatura para criar um ecossistema completo de IA, desde chips até aplicações industriais.

    Parcerias estratégicas definem nova era tecnológica

    A NVIDIA e o Korea Advanced Institute of Science and Technology (KAIST) anunciaram a criação do primeiro laboratório conjunto de pesquisa em IA entre uma universidade coreana e uma empresa global de tecnologia. Localizado na KAIST Kim Jaechul Graduate School of AI em Seul, o laboratório será dedicado ao desenvolvimento de IA agêntica específica para as necessidades sul-coreanas, com foco especial no processamento de linguagem coreana e aplicações industriais locais.

    A colaboração vai além da pesquisa acadêmica. A NAVER, gigante de tecnologia sul-coreana equivalente ao Google no país, está expandindo sua fábrica de IA NVIDIA DSX no data center GAK Sejong para 200 megawatts – aproximadamente 100.000 GPUs construídas na plataforma NVIDIA Vera Rubin. Essa expansão triplica o investimento inicial anunciado em junho e representa uma das maiores implementações de infraestrutura de IA fora dos Estados Unidos.

    O SK Group, conglomerado que inclui a SK hynix (fabricante de memórias HBM essenciais para IA), anunciou uma parceria de mais de 500 bilhões de dólares com a NVIDIA. A colaboração incluirá o desenvolvimento conjunto de memórias HBM4 de próxima geração e a construção de infraestrutura massiva de computação para atender à crescente demanda global por processamento de IA.

    Physical AI: o próximo salto tecnológico

    Um dos aspectos mais inovadores da estratégia sul-coreana é o foco em Physical AI – inteligência artificial aplicada ao mundo físico através de robótica e sistemas autônomos. O Hyundai Motor Group delineou uma estratégia ambiciosa que inclui o desenvolvimento de uma plataforma de referência para robôs em colaboração com a NVIDIA, além da implementação de 50.000 GPUs Blackwell para suas operações.

    A integração do NVIDIA DRIVE Hyperion, plataforma de desenvolvimento para veículos autônomos, com os sistemas da Hyundai representa um avanço significativo na corrida global por carros autônomos. Essa colaboração posiciona a Coreia do Sul como um player importante não apenas em IA generativa, mas também em aplicações práticas que podem transformar indústrias inteiras.

    As universidades sul-coreanas também estão no centro dessa transformação. Além do laboratório conjunto com KAIST, a NVIDIA está planejando um AI Technology Center (NVAITC) com a Seoul National University, cobrindo pesquisa em modelos fundamentais, computação acelerada e IA para ciência. Esses centros utilizarão modelos abertos como NVIDIA Nemotron e NVIDIA Cosmos para desenvolver soluções específicas para o mercado coreano.

    O que isso significa para o cenário global de IA

    A movimentação sul-coreana tem implicações profundas para o equilíbrio global de poder em IA. Primeiro, demonstra que países de tamanho médio podem competir efetivamente com superpotências tecnológicas através de parcerias estratégicas e foco em nichos específicos. A Coreia do Sul está aproveitando sua expertise em semicondutores – especialmente através da Samsung e SK hynix – para se posicionar como fornecedora essencial da infraestrutura global de IA.

    Jensen Huang, CEO da NVIDIA, destacou durante o encontro que sem a invenção das memórias HBM na Coreia, a NVIDIA não teria conseguido criar os supercomputadores que alimentam a IA moderna. Essa interdependência tecnológica cria uma dinâmica interessante onde a Coreia do Sul não é apenas consumidora de tecnologia americana, mas parceira essencial no desenvolvimento de inovações futuras.

    Para o Brasil e outros países emergentes, a estratégia sul-coreana oferece lições valiosas. O foco em criar um ecossistema completo – desde a formação de talentos em universidades até a construção de infraestrutura física e desenvolvimento de aplicações industriais – mostra que uma abordagem integrada pode acelerar significativamente o desenvolvimento tecnológico nacional.

    Investimentos trilionários e ambições globais

    Os números envolvidos são impressionantes. Além da parceria de 500 bilhões de dólares do SK Group, o presidente Lee Jae Myung falou em investimentos trilionários em semicondutores de IA, data centers de hiperescala e Physical AI. Ele comparou o surgimento da inteligência artificial à humanidade descobrindo o fogo novamente, sinalizando a importância estratégica que o país atribui a essa tecnologia.

    O encontro em São Francisco reuniu um grupo extraordinário de líderes tecnológicos. Além de Jensen Huang, estavam presentes Sam Altman da OpenAI, Hock Tan da Broadcom e Dario Amodei da Anthropic. Do lado coreano, participaram os presidentes da Samsung Electronics, SK Group, Hyundai Motor Group e NAVER. Essa concentração de poder tecnológico em uma única sala demonstra a seriedade com que a Coreia do Sul está abordando sua transformação digital.

    A declaração de São Francisco do presidente Lee traçou um paralelo entre a reconstrução de São Francisco após o terremoto de 1906 e a ascensão da Coreia do pós-guerra como potência de TI. Ele propôs uma abordagem que vai além da tecnologia, incluindo educação e serviços públicos projetados para distribuir amplamente os benefícios da IA.

    Conclusão

    A estratégia sul-coreana de IA representa um modelo fascinante de como países podem alavancar suas forças existentes para competir na nova economia digital. Ao combinar sua expertise em semicondutores com parcerias estratégicas globais e investimentos massivos em infraestrutura e educação, a Coreia do Sul está se posicionando não apenas como consumidora, mas como criadora de tecnologias de IA de próxima geração.

    Para o Brasil, essa movimentação serve como um importante ponto de reflexão. Enquanto a Coreia do Sul investe trilhões e cria laboratórios conjuntos com gigantes globais, precisamos avaliar nossa própria estratégia nacional de IA. As oportunidades existem – seja em parcerias com empresas globais, desenvolvimento de soluções para o mercado latino-americano ou aproveitamento de nossas próprias forças em áreas como agronegócio e energia renovável. O exemplo coreano mostra que com visão estratégica, investimentos direcionados e parcerias inteligentes, é possível criar um papel relevante na economia global de IA.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em NVIDIA Blog, disponível em https://blogs.nvidia.com/blog/ai-summit-korea-partners-and-nvidia/.

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