Introdução
A inteligência artificial está redefinindo rapidamente como os usuários interagem com mecanismos de busca, e os números mais recentes são impressionantes. De acordo com um novo relatório da Similarweb, as respostas geradas por IA do Google, conhecidas como AI Overviews, saltaram de 15% para 43% de presença nas buscas em apenas um ano. Essa transformação radical não apenas altera a experiência do usuário, mas força empresas brasileiras a repensarem completamente suas estratégias de visibilidade online e SEO.
O que começou como uma camada experimental sobre os resultados tradicionais de busca tornou-se parte integral da jornada de pesquisa online. Para executivos e gestores de marketing digital no Brasil, esses dados representam um ponto de inflexão: a era dos “dez links azuis” está definitivamente ficando para trás, e o Google está se transformando de um diretório de sites em um destino de informação por si só.
A ascensão meteórica das AI Overviews
Os dados da Similarweb revelam uma adoção sem precedentes da tecnologia de IA nas buscas. Em maio de 2025, apenas 15% das pesquisas no Google exibiam respostas geradas por inteligência artificial. Um ano depois, esse número quase triplicou, atingindo 43% de todas as buscas. Paralelamente, o AI Mode – a interface conversacional mais aprofundada do Google – viu suas visitas crescerem de 126 milhões em junho de 2025 para 279 milhões em maio de 2026.
Essa explosão no uso reflete uma mudança fundamental no comportamento dos usuários. As pessoas estão substituindo consultas curtas baseadas em palavras-chave por perguntas mais longas e conversacionais, projetadas especificamente para interagir com a IA. É como se os usuários brasileiros estivessem aprendendo uma nova linguagem para se comunicar com os mecanismos de busca – uma linguagem mais natural e próxima da conversa humana.
O impacto dessa mudança vai além dos números. O tempo médio que os usuários passam no Google aumentou significativamente, sugerindo que a plataforma está conseguindo reter a atenção dos visitantes por mais tempo. Isso representa uma mudança paradigmática: o Google deixa de ser apenas uma ponte para outros sites e se torna o próprio destino final da jornada de busca.
O dilema dos publishers e criadores de conteúdo
Para publishers brasileiros e criadores de conteúdo, essa transformação apresenta desafios sem precedentes. O relatório confirma o que muitos já suspeitavam: o tráfego de referência dos mecanismos de busca está em declínio acentuado. Quando o Google fornece respostas completas diretamente na página de resultados, os usuários têm menos incentivo para clicar nos links originais.
Sites de notícias foram particularmente afetados por essa mudança. A Similarweb havia reportado anteriormente o impacto devastador nos publishers de notícias, que dependem fortemente do tráfego orgânico para monetização através de publicidade. No contexto brasileiro, onde muitos veículos digitais ainda lutam para estabelecer modelos de assinatura sustentáveis, a perda de tráfego orgânico pode ser especialmente prejudicial.
Como resposta a essa crise, empresas de infraestrutura como a Cloudflare desenvolveram ferramentas que permitem aos publishers bloquear crawlers de IA que não pagam pelo acesso ao conteúdo. É uma tentativa de forçar as empresas de IA a compensar os criadores de conteúdo cujo trabalho alimenta seus modelos. No Brasil, onde a discussão sobre direitos autorais digitais ainda está em evolução, essa questão promete gerar debates acalorados nos próximos anos.
Citações e a economia da atribuição
Um aspecto curioso revelado pelo relatório é o crescimento das citações nas respostas de IA. Embora o número de respostas com citações tenha aumentado cinco vezes no último ano, apenas 6,8% das consultas do ChatGPT nos Estados Unidos incluíam citações em maio de 2026. Alguns setores se saem melhor: viagens, varejo e esportes geram respostas com citações com mais frequência.
Para o mercado brasileiro, isso sugere oportunidades específicas. Empresas nos setores de turismo e e-commerce podem se beneficiar ao otimizar seu conteúdo para ser mais “citável” pelas IAs. Isso significa criar conteúdo autoritativo, bem estruturado e com dados únicos que as IAs considerem valiosos o suficiente para referenciar.
Há um vislumbre de esperança nos dados mais recentes. Após uma atualização em 7 de maio, a proporção de visitas do ChatGPT que resultam em cliques para páginas web mais que dobrou, passando de 25% em março de 2026 para quase 60% no final de maio. Isso sugere que, quando os links são apresentados de forma proeminente, os usuários ainda valorizam o acesso ao conteúdo original.
Implicações para estratégias de marketing digital no Brasil
Para empresas brasileiras, esses dados exigem uma reavaliação completa das estratégias de marketing digital. O SEO tradicional, focado em palavras-chave e backlinks, precisa evoluir para o que podemos chamar de “AIO” (Artificial Intelligence Optimization). Isso significa criar conteúdo que não apenas ranqueie bem nos resultados tradicionais, mas que também seja compreensível e útil para sistemas de IA.
As empresas precisam considerar várias adaptações estratégicas. Primeiro, o conteúdo deve ser estruturado de forma a facilitar a extração de informações por IAs – usando marcações semânticas claras, dados estruturados e formatos que as máquinas possam interpretar facilmente. Segundo, a autoridade e credibilidade tornam-se ainda mais importantes, já que as IAs tendem a priorizar fontes confiáveis.
Para o e-commerce brasileiro, isso pode significar investir mais em conteúdo educacional e informativo sobre produtos, em vez de apenas descrições comerciais. Para empresas B2B, significa criar recursos aprofundados que estabeleçam liderança de pensamento em seus setores. A era do conteúdo superficial otimizado apenas para palavras-chave está definitivamente acabando.
O futuro da descoberta de informação
A transformação em curso representa apenas o início de uma mudança muito maior na forma como consumimos informação online. À medida que as AI Overviews se tornam mais sofisticadas e abrangentes, podemos esperar que o Google continue expandindo sua presença como destino final de informação, não apenas como intermediário.
Para o ecossistema digital brasileiro, isso levanta questões importantes sobre diversidade de vozes, acesso à informação e sustentabilidade econômica dos criadores de conteúdo. Se o tráfego direto para sites continuar diminuindo, novos modelos de monetização e distribuição precisarão emergir. Isso pode incluir parcerias diretas com plataformas de IA, modelos de licenciamento de conteúdo ou novas formas de engajamento que vão além do modelo tradicional de pageviews.
As empresas que se adaptarem rapidamente a essa nova realidade terão vantagens competitivas significativas. Isso inclui não apenas ajustar estratégias de conteúdo, mas também repensar métricas de sucesso, investir em dados proprietários valiosos e construir relacionamentos diretos com audiências que não dependam exclusivamente de tráfego de busca.
Conclusão
A ascensão das AI Overviews do Google para 43% das buscas marca um ponto sem volta na evolução da internet. Para o mercado brasileiro, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. Empresas que entenderem e se adaptarem a essa nova dinâmica poderão prosperar, enquanto aquelas que se apegarem a estratégias ultrapassadas correm o risco de perder relevância.
O futuro da busca online é conversacional, contextual e centrado em IA. Para gestores e profissionais de marketing no Brasil, o momento de adaptação é agora. Isso significa investir em conteúdo de alta qualidade, explorar novos formatos de engajamento e, acima de tudo, aceitar que a era do Google como simples intermediário chegou ao fim. Estamos entrando em um novo paradigma onde a inteligência artificial não apenas encontra informações, mas as sintetiza, contextualiza e entrega de formas cada vez mais sofisticadas. A questão não é se devemos nos adaptar, mas quão rapidamente conseguiremos fazê-lo.
Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria publicada em TechCrunch, disponível em https://techcrunch.com/2026/07/27/googles-ai-search-is-rapidly-becoming-the-default-new-data-shows/.



