Amazon triplica pedido de chips Nvidia e adiciona 2 milhões de GPUs até 2028

    Tempo de leitura: 5 minutesAmazon triplica pedido de chips Nvidia, adicionando 2 milhões de GPUs até 2028. Acordo bilionário sinaliza corrida sem precedentes por infraestrutura de IA e pressões na cadeia global de semicondutores.

    26 de agosto de 2026

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    Amazon triplica pedido de chips Nvidia e adiciona 2 milhões de GPUs até 2028
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    Introdução

    A Amazon acaba de anunciar uma expansão massiva de sua parceria com a Nvidia, comprometendo-se a adicionar mais 2 milhões de GPUs aos seus data centers da AWS entre 2027 e 2028. Este movimento representa uma triplicação em relação ao acordo anterior de 1 milhão de chips firmado há apenas cinco meses, sinalizando uma corrida sem precedentes por infraestrutura de inteligência artificial. O anúncio, feito durante a divulgação de resultados trimestrais da Nvidia, revela não apenas a escala astronômica dos investimentos em IA, mas também as pressões crescentes sobre a cadeia de suprimentos global de semicondutores.

    Para empresas brasileiras que dependem de serviços de cloud computing, esta notícia tem implicações diretas. A expansão massiva da capacidade computacional da AWS pode significar tanto maior disponibilidade de recursos para treinar e executar modelos de IA quanto potenciais aumentos de custos devido à alta demanda. O acordo, estimado em dezenas de bilhões de dólares, inclui as mais avançadas GPUs da Nvidia – Blackwell Ultra, Rubin e Rubin Ultra – e vai muito além de uma simples compra de hardware.

    A dimensão do acordo e suas ramificações

    O que torna este acordo particularmente notável não é apenas seu tamanho, mas a velocidade com que cresceu. Em março deste ano, a Amazon havia se comprometido com mais de 1 milhão de GPUs Nvidia para implementação a partir de 2026. Agora, apenas cinco meses depois, esse número efetivamente triplicou. Segundo a Nvidia, a ‘demanda excedeu as expectativas’, um eufemismo para o que parece ser uma corrida do ouro digital.

    A parceria expandida vai além da simples aquisição de chips. A Nvidia está integrando todo seu ecossistema tecnológico na AWS, incluindo hardware de rede que conecta milhares de GPUs em um único sistema, modelos abertos de IA, CPUs, software de processamento de dados e até sua plataforma de robótica. Esta integração profunda sugere que a Amazon está apostando não apenas em mais poder computacional, mas em uma arquitetura completa otimizada para cargas de trabalho de IA.

    O timing é particularmente interessante considerando que a Amazon tem investido pesadamente no desenvolvimento de seus próprios chips de IA. Os chips Trainium da Amazon são posicionados como alternativas diretas aos H100 e Blackwell da Nvidia para cargas de trabalho de deep learning. Além disso, os processadores Graviton baseados em arquitetura Arm da Amazon competem com chips tradicionais de servidor da Intel e AMD. O fato de a Amazon estar simultaneamente desenvolvendo chips próprios e triplicando seus pedidos da Nvidia sugere que a demanda por capacidade de IA está superando em muito qualquer solução única.

    O paradoxo da competição e cooperação

    A relação entre Amazon e Nvidia exemplifica um fenômeno cada vez mais comum no setor de tecnologia: a coopetição. Enquanto a Amazon desenvolve ativamente chips que competem com os produtos da Nvidia, ela continua sendo um dos maiores clientes da empresa de semicondutores. Peter DeSantis, chefe de IA da AWS, revelou que a empresa está em negociações para vender seus chips Trainium para outros data centers, posicionando-se como concorrente direta da Nvidia.

    Apesar dessa competição, o negócio de chips customizados da Amazon está crescendo rapidamente, com uma taxa de receita anualizada de US$ 25 bilhões, impulsionada por US$ 225 bilhões em compromissos totais de laboratórios de IA como Anthropic e OpenAI. Isso sugere que o mercado de infraestrutura de IA é grande o suficiente para acomodar múltiplos players, mas também que nenhuma solução única é suficiente para atender à demanda explosiva.

    A Nvidia, por sua vez, está expandindo agressivamente seu portfólio. O CEO Jensen Huang afirmou ter encontrado um ‘novo mercado de US$ 200 bilhões’ para os CPUs Vera da empresa. Esses processadores serão enviados para a AWS tanto integrados com as GPUs Rubin quanto como unidades independentes, com implementações planejadas em todos os principais hyperscalers, neoclouds, laboratórios de IA e fabricantes de sistemas.

    Além dos data centers: robótica e IA empresarial

    A parceria se estende significativamente além da infraestrutura de data center tradicional. A Amazon planeja adotar toda a stack de IA física da Nvidia para alimentar sua frota de robôs de armazém. Isso inclui o Omniverse (plataforma de simulação e gêmeo digital), Cosmos (plataforma de modelo de mundo), Isaac (plataforma de desenvolvimento de robótica) e Jetson (hardware de computação para robôs e IA de borda).

    Esta integração é particularmente relevante para o contexto brasileiro, onde a automação logística está se tornando cada vez mais crítica devido aos desafios de infraestrutura e às dimensões continentais do país. A adoção dessas tecnologias pela Amazon pode acelerar a modernização de centros de distribuição e operações logísticas em toda a América Latina.

    No lado empresarial, a AWS servirá a família Nemotron de modelos abertos da Nvidia através do Amazon Bedrock, sua plataforma gerenciada de modelos fundamentais, e do SageMaker, seu serviço gerenciado de cloud. Isso significa que empresas brasileiras terão acesso mais fácil a modelos de IA de ponta sem precisar investir em infraestrutura própria, democratizando o acesso a tecnologias avançadas de IA.

    O que isso significa para o mercado

    Os números financeiros da Nvidia contextualizam a magnitude desta transformação. A empresa reportou vendas de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre, superando as estimativas dos analistas. A receita de data center representou a maior parte das vendas da Nvidia no trimestre, com US$ 89 bilhões, um aumento de 117% em relação ao ano anterior. A empresa projeta receita de US$ 108 bilhões no terceiro trimestre, com parte vinda de suas GPUs Rubin de próxima geração.

    Mais impressionante ainda é o compromisso da Nvidia de US$ 279 bilhões para garantir capacidade de fornecimento e fabricação para projetos atuais e futuros de data center, um aumento substancial dos US$ 119 bilhões do trimestre anterior. Isso inclui US$ 92 bilhões em gastos projetados para o restante do ano fiscal e outros US$ 87 bilhões no ano fiscal de 2028.

    Para empresas que dependem de serviços de cloud computing, esses investimentos massivos têm implicações complexas. Por um lado, a expansão da capacidade deve melhorar a disponibilidade e potencialmente reduzir os tempos de espera para recursos de IA. Por outro, a demanda ‘explosiva’ mencionada pelas empresas pode manter os preços elevados, especialmente para recursos de computação de alta performance necessários para treinar grandes modelos de linguagem.

    A economia dos tokens lucrativos

    Jensen Huang ofereceu uma perspectiva reveladora durante a chamada de resultados: ‘A coisa que importa para a indústria é que a IA agora está fazendo trabalho produtivo e útil. A IA está gerando tokens lucrativos… Se tivéssemos mais computação, poderíamos gerar mais tokens lucrativos, o que resulta em mais lucro para todos os serviços.’

    Esta visão de ‘tokens lucrativos’ representa uma mudança fundamental na economia da computação. Diferentemente de ciclos anteriores de investimento em tecnologia, onde o retorno sobre o investimento era muitas vezes incerto ou de longo prazo, a IA generativa está criando valor imediato e mensurável. Cada consulta processada, cada imagem gerada, cada análise realizada representa receita potencial.

    No entanto, investidores e analistas estão observando atentamente se a computação adicional realmente se traduz tão diretamente em lucros adicionais. Com empresas de IA despejando centenas de bilhões de dólares em infraestrutura, a pressão para demonstrar retornos proporcionais está aumentando. Para o mercado brasileiro, isso pode significar tanto oportunidades quanto riscos – oportunidades para empresas que conseguirem aproveitar eficientemente esses recursos, e riscos para aquelas que investirem pesadamente sem um modelo de negócios claro.

    Conclusão

    O acordo expandido entre Amazon e Nvidia representa mais do que uma grande transação comercial – é um indicador claro de que estamos entrando em uma nova era da computação. A triplicação do pedido de GPUs em apenas cinco meses sugere que as previsões mais otimistas sobre a demanda por IA podem estar subestimadas. Para empresas e profissionais brasileiros, isso significa que a janela para desenvolver competências em IA e estabelecer vantagens competitivas está se fechando rapidamente.

    A integração profunda entre as tecnologias da Nvidia e a infraestrutura da AWS criará novas possibilidades para aplicações de IA, desde a automação de armazéns até modelos empresariais sofisticados. Ao mesmo tempo, a coexistência de cooperação e competição entre as duas gigantes tecnológicas ilustra a complexidade do ecossistema de IA emergente. O desafio para as organizações será navegar neste ambiente em rápida evolução, aproveitando as oportunidades sem ser sobrecarregadas pelos custos crescentes ou pela complexidade tecnológica. Uma coisa é certa: a corrida pela supremacia em IA está apenas começando, e a escala dos investimentos sugere que as apostas nunca foram tão altas.


    Fonte original: Este artigo foi adaptado e traduzido a partir da matéria “Amazon just tripled its order of Nvidia chips over ‘surging demand’” publicada em TechCrunch, disponível em https://techcrunch.com/2026/08/26/amazon-just-tripled-its-order-of-nvidia-chips-over-surging-demand/.

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